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2 de janeiro de 2010

Columbina do Seu Pierrot...

Diz-me Columbina...em quantas lágrimas te dividiste e enegreces-te o meu rosto? Em quanta palidez me cobris-te a cara? Deixa-me acariciar os teu lábios e sorver essa tua luz. Quero deixar de ser carvão e ser rosa. Quero deixar de ser pó e tornar-me em água para cair dos teus olhos. Quantos sóis tens tu no teu olhar? Pois o teu olhar cega-me...

Pierrot, meu Pierrot. Não chores mais, deixa-me tocar tua face sem cor e beijar os teus lábios mortos de palidez. Deixa-me ser a sinfonia que ecoa na tua cabeça.
Meu Pierrot, meu cego...olha para mim. Olha para a emaculada, olha para a Criminosa Virgem que tens a tua frente. Amo-te mas não te quero amar. Tua Inocência não me pertence, os teus lábios não me podem tocar, teus olhos não me podem ver. Cega-te com os espinhos dessas rosas que Imaginas...e procura por mim...nesse mundo...cego e descompassado.

Columbina...quantas vezes me pintei à frente do espelho, quantas vezes me borrei e me transformei num borralho de tinta à espera das tuas lânguidas mãos para me limpar do negrume dessa tinta que me consome. Quantas vezes parei de ouvir os relógios de cuco para poder ouvir as engrenagens do meu coração a ganhar ferrugem? Em quantos bailes te procurei...em quantas velas te revi...em quantas campas chorei por ti?

Pierrot...meu querido Pierrot...meu coração não te pertence, mas sim ao Arlequim, pois ele faz me rir...e a tua essência entristece-me. Tece-me um sorriso e serei o óleo para te desenferrujar o peito. Por mim, despe-te desse negrume. Crucifica-te no alto daquela colina e põe uma coroa de rosas espinhosas na tua cabeça e deixa o teu sangue pintar a tua face...toma cor..sorve a cor....

Columbina..sobre a tua campa chorei. Teu coração na minha mão, cravejado com um canivete. Teus pulmões sem ar, tua boca tão pálida como a minha. O Arlequim baloiçando naquela árvore, baloiço que eu construi e lhe amarrei ao pescoço...
Columbina....minha doce e infiél Columbina...

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